terça-feira, 6 de abril de 2010

O baloiço me embala

O baloiço me embala, para trás, para a frente. O vento eleva meus cabelos, uma cereja cai, vermelha, sumarenta. Um grilo canta, sozinho, (mas nem por isso deixa de cantar).
Olho a meu lado, vejo um ninho nesta arvore. E reparo que estas folhas nunca tiveram tão verdes, talvez porque nunca as olhei desta forma. O verde dos campos ofusca tudo o resto, vêem-se pintados malmequeres entre eles, que, gentilmente, se agitam com o vento. Hum, e lá longe vejo uma borboleta branca. Daria tudo para ela pousar em minha mão, para eu poder olha-la calmamente.
A melodia continua no ar. Não preciso ver, sei onde eles andam, acompanho-os com os meus ouvidos. Os pássaros: os donos do céu. São eles que, juntamente com o grilo que canta sozinho, com o abanar das folhas e com o barulho triturante de uma folha sendo recortada por uma abelha, me fazem sorrir, apenas porque, simplesmente o facto de os ouvir, de os sentir,faz com que seja feliz por um momento.
O baloiço continua a baloiçar, cada vez mais depressa. As palavras escrevem-se torcidas e as memórias menos boas infiltram-se de novo.
Não sei ao certo se me sinto triste ou se, amplamente, penso na tristeza, no quão dolorosa ela pode ser e no quão fracos elas nos pode tornar. É devido a ele, esse a quem chamam de “Amor”. E apenas e só de recordar essa palavra, meus olhos enchem-se de lágrimas. Contudo, elas não caem, porque a simplicidade da natureza não deixa. Porém, triste.
Encontro-me fora do rumo, a raiva torna-se imensa, o tédio aparece, ora bem, ora mal, a voz de suave passa a tensa e gritante. Aquelas quatro paredes voltam a envolver-me, ao mesmo tempo que a saudade reaparece.
Os pássaros cantam baixinho, não porque é real, mas porque o barulho ensurdecedor do silêncio os cala...

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